Em 2016, quando suas opiniões começavam a ser irrelevantes, o jornalista Reinaldo de Azevedo disse o seguinte sobre Jair Bolsonaro e Jean Wyllys, na TVeja:

Os dois se alimentam. Eles são iguais (…). Esse rapaz [Jean Wyllys] foi eleito a primeira vez, junto com Chico Alencar, com 12 mil votos. 12 mil votos! Disse tanta barbaridade, disse tanta bobagem, e passou a rivalizar com o Bolsonaro, que não perde dele em asneira – só que do outro lado –, e os dois passaram a se alimentar (…). Um depende do outro. É o Bolsonaro que fez o Jean Wyllys saltar de 12 mil votos para mais de 120 mil votos. É o Jean Wyllys que faz o Bolsonaro a cada eleição ganhar um pouco mais de votos. Porque a cada vez o Bolsonaro vai dizendo barbaridades ainda maiores, porque ele sabe que haverá o malucaço do outro lado para ter essas reações destrambelhadas que teve Jean Wyllys.

Já Roberto Cabrini, abriu um programa que chamou “os antagônicos”, atribuindo-lhes a pecha de figuras radicais de trajetórias distintas, mas que “provocam reações fortes, de aprovação ou de repúdio”. Afirmou que ambos possuem “comportamentos que os distanciam, e ao mesmo tempo os aproximam”; que “um parece tirar do outro o máximo de suas convicções e trincheiras”; e que “em um momento crítico da história do Brasil, eles simbolizam ideias extremas que se contrapõem”, protagonizando “uma guerra de posicionamentos que revela muito do que está em jogo no país”.

Segundo Leandro Narloch, o “Caçador de Mitos” :

A cusparada de Jean Wyllys em Jair Bolsonaro durante a votação do impeachment propagou a ideia de que eles estão em lados opostos da política brasileira. Não acredito nisso. Os dois são para mim gêmeos que brigam, duas faces de uma moeda que deveríamos deixar esquecida na gaveta (…). Os dois aderem ao radicalismo porque querem abocanhar uma parte pequena e fiel do eleitorado. Sabem que, se conquistarem 4% ou 5% dos eleitores, ficarão para sempre entre os deputados mais votados. O sucesso de um depende da briga com o outro.

Os jornalistas “não estão sozinhos”, mas esse ponto de vista reflete a realidade?

***

Bolsonaro é um nacionalista, conservador, flerta com o liberalismo clássico, e vê a necessidade de algum investimento público na economia, bem com a proteção das chamadas “reservas estratégicas”. Pode-se dizer que é um político de centro-direita.

A grande marca da sua atuação no Congresso, já que seus projetos são sempre boicotados, por sua essência conservadora, é barrar o avanço de pautas progressistas por vezes radicais, como a criação de castas superiores na sociedade, ao argumento de serem “minorias”, e a inclusão de educação sexual e de temas sobre a homossexualidade no currículo escolar de crianças a partir de 6 anos de idade. Aliás, como bem pontuou, a banalização do sexo para pessoas ainda em formação é a porta de abertura para a pedofilia, pois a criança não soaria tão estranho o assédio de um adulto, se o sexo, para ela, passou a ser algo normal.

A mentalidade de Bolsonaro, ao se opor ao avanço da agenda progressista nas questões morais, diga-se, está totalmente inserida no bojo da nossa Cultura Ocidental. Mas, porque essas pautas ganham corpo inclusive na ONU, ele é atacado pela imprensa e pela militância organizada da esquerda, que o chama de extrema-direita reacionário, como rotulam costumeiramente qualquer político à direita.

Nessa “perseguição”, houve três fatos emblemáticos: o combate ao chamado “kit gay”; a alteração da ordem do áudio no programa CQC, em pergunta peita por Preta Gil; e a discussão com a deputada Maria do Rosário, que o chamou de estuprador, enquanto ele defendia a castração química de Champinha, e ela a inimputabilidade desse estuprador. Inclusive, foi sugerido o uso de muita pressão para cassar seu mandato, no nº 157 do Caderno de Teses do 5º Congresso do PT, em 2015. O comando foi logo assimilado por políticos da esquerda e pela estrutura que a sustenta (imprensa e academia, p.ex.).

Jean Wyllys pertence à nova esquerda, que é chegada à radicalidade, como apoio aos black bloks, e busca implementar pautas da agenda globalista, como direitos das minorias, liberação de drogas e ideologia de gênero. Seu partido se propõe a combater as bases da cultura ocidental e o perfil conservador do brasileiro.

O deputado apresenta um comportamento por vezes iracundo, vingativo e desrespeitoso – por vezes, demonstra desprezo – diante de adversários ideológicos, desafetos e do povão, que ele entende não possuir um nível intelectual satisfatório para opinar através de plebiscitos. Chamou conservadores de gentalha; costuma usar palavras agressivas contra cristãos e heterossexuais, para defender direitos de homossexuais e de religiões de matriz africana; e ofendeu a maioria dos brasileiros, ao achar pouca a remuneração de deputado. Recentemente, postou um vídeo nas redes sociais, no qual afirmou que cuspiu e cuspiria de novo em Bolsonaro, e que pessoas ligadas a esse último o perseguem.

Por fim, junto à Deputada Federal Érika Kokai, Jean Wyllys apresentou o Projeto de Lei 5.002/2013, que prevê a alteração do artigo 58 da Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos), para promover a identidade de gênero, permitindo que crianças e adolescentes mudem, nos registros documentais, seu sexo e seu prenome, e caso os pais não autorizem, poderão fazê-lo com assistência da Defensoria Pública.

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Jair Bolsonaro estudou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e foi para a reserva do Exército a fim de exercer um cargo de vereador na Cidade do Rio de Janeiro, em 1999. Porém, mal “esquentou o banco”, partiu para Brasília, após conseguir uma vaga na Câmara dos Deputados, em 1990, onde foi do “baixo clero” por 28 anos, até conseguir ser Presidente da República.

Jean Wyllys é deputado federal eleito pelo PSOL – seu único partido –, alcançou o terceiro mandato consecutivo em 2018, e tem como plataforma o apoio a pautas progressistas, em especial a ideologia de gênero. Jean é professor, homossexual assumido e ganhou visibilidade nacional em 2005, após vencer a 5ª edição do Big Brother Brasil, reality show exibido pela Rede Globo.

Em 2010, Jean Wyllys conseguiu seu primeiro mandato, com apenas 13.016 votos, em razão do quociente eleitoral, puxado pelo colega Chico Alencar, que obteve 240 mil votos. Em 2014, foi eleito como o sétimo mais votado, obtendo 144.770 votos. Em 2018, também obteve votação ínfima, de 24.295 votos, e precisou ser novamente puxado por seus correligionários. Talvez nem tivesse sido um parlamentar, não fosse o ultrapassado e maroto sistema eleitoral brasileiro.

Bolsonaro, que passou por muitos partidos políticos, foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro em 2014, com 464.556 votos, e sua popularidade ajudou a eleger, em 2018, vários deputados estaduais, federais e senadores, e vem atraindo o apoio de inúmeros políticos, inclusive prefeitos e vereadores. Em São Paulo, seu filho Eduardo foi o deputado federal mais votado da história, Joice Hasselmann foi a deputada federal mais votada do Brasil, e Janaína Pascoal foi a deputada estadual mais votada da história; e no Rio de Janeiro, o filho Flávio foi o Senador mais votado, e o amigo Hélio, o deputado federal mais votado. Além disso, governadores eleitos como Zema, do NOVO de Minas Gerais, e Dória, do PSDB de São Paulo, também pegaram carona na popularidade de Bolsonaro.

O PSL, um partido que tinha pretensões medianas nesse pleito, por sua votação expressiva, saltou da condição de nanico à de protagonista das eleições de 2018. O partido, atualmente com 8 deputados, elegeu a segunda maior bancada da Câmara Federal – 52 deputados –, enquanto nas eleições anteriores, só um deputado havia sido eleito pela legenda. Não possuía nenhum senador e nenhum governador, e elegeu 4 senadores e 3 governadores [17]. Por fim, embora tenha sido prejudicado pela “regra de desempenho”, segundo a qual, para ser eleito, o candidato deve obter o mínimo de 10% do quociente eleitoral [18], o partido vai ficar com a maior fatia do fundo partidário de 2019, porque obteve a maior votação nas eleições.

Jair Bolsonaro foi eleito Presidente da República com aproximadamente 57,8 milhões de votos [19], e é, certamente, o responsável por aquilo que Filipe G. Martins chamou de “maior renovação da história do Congresso”, com 85% no Senado e 59% na Câmara [20].

Enquanto Bolsonaro ainda não perdeu nenhuma das eleições que disputou, Jean Wyllys quase fica de fora pela segunda vez (entre três), tendo que ser novamente auxiliado por votos alheios.

Mais: embora ambos possuam um discurso forte e personalidades marcantes, Jair Bolsonaro frequenta o espectro político de centro-direita, enquanto Jean Wyllys é de uma esquerda mais aguda, posicionada após o centro em direção à esquerda radical. Aliás, o homem que tentou tirar a vida de Bolsonaro foi filiado ao seu partido.

É muito forçada a comparação entre eles, inclusive quanto ao grau de “radicalização”: Bolsonaro é muito maior, e também muito menos radical com suas bandeiras políticas .

Na realidade, Bolsonaro rivaliza é com a esquerda que está incrustada no poder há mais de 20 anos, com seu projeto de poder infinito, assegurado pela nauseabunda estratégia das tesouras, limitando as liberdades e escravizando lentamente sua população. Ele é o instrumento usado por essa população, que decidiu dar um basta nisso tudo; é alguém com a disposição e o estofo moral necessários para tocar as mudanças.

 

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