Além de erros crassos e elementares na elaboração de muitas perguntas e ausência de padrões básicos de citação bibliográfica para as questões do exame, o ENEM contou com uma nova leva de perguntas imbuídas de uma narrativa evidentemente partidária e ideológica para a esquerda. Muitas questões levantaram polêmicas ao não tratarem de problemáticas elementares que testassem a capacitação dos candidatos, mas tão somente a capitalização ideológica descarada e virulenta.

Nesse último domingo, dia 5, foi realizado o ENEM em todo o território nacional contando com milhares de candidatos. O exame, mais uma vez, contou com uma série de perguntas consubstanciadas a uma narrativa ideológica premeditada, além de um declínio exacerbado do nível técnico das questões.

Uma das questões mais polêmicas falava sobre um “dialeto” utilizado entre travestis e homossexuais. Outra questão também contou com falas ideológicas de João Goulart e alternativas enviesadas a um padrão torpe de pensamento cujas fontes duvidosas contavam com a revista Carta Capital, um veículo de comunicação jornalístico tradicional da esquerda e um ferrenho defensor das políticas petistas.

Examinando o nível das provas do ENEM e dos exames dos vestibulares tradicionais e descentralizados das universidades federais e estaduais, observa-se um claro declínio no nível técnico das questões e na riqueza das fontes das perguntas na área de humanas, banalizando completamente o processo de inserção ao ensino superior e proporcionando uma decadência exponencial do nível de capacidade dos alunos com acesso ao ensino superior. Há estudos e analistas estimando que os analfabetos funcionais em ambientes universitários atinge o assustador patamar de 50% ou mais, corroborando cada vez mais com a tese de que houve uma queda sem precedentes no nível educacional dos alunos.

Evidentemente, quando se há uma banalização do acesso ao ensino superior mediante a queda no nível técnico do Exame Nacional de inserção às universidades, há uma inflação de oferta de mão de obra qualificada com diploma de ensino superior que não atende as expectativas do mercado de trabalho, condicionando para que as empresas cada vez mais passem a exigir mais que um mero diploma universitário, desqualificando substancialmente a conquista da graduação por si só.

Quando há um descaso evidente com a educação de base e medidas de banalização para “democratizar” o acesso ao ensino superior são tomadas, cada vez mais alunos despreparados entram em campos universitários e conquistam seus diplomas sem uma base educacional sólida, precarizando completamente o nível educacional nacional. Não trata-se de números, mas de qualidade. Não adianta gerar o acesso generalizado e indiscriminado de alunos ao ensino superior sem qualquer preparo sedimentado na educação de base. Enquanto não houver uma educação básica sólida que construa adequadamente a preparação dos alunos para o ensino superior, cada vez mais irá decair o nível dos exames e os indicadores gerais de educação no país.

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